COMFORT FOOD COMO ESTRATÉGIA DE FORTALECIMENTO SOCIAL EMOCIONAL EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS

Ruth Rufino COSTA, José Filipe TAVARES

Resumo


Comfort food ou comida de conforto pode ser definido como momento de aconchego e bem-estar durante a alimentação. É um conceito que trata do lado afetivo que o alimento pode transmitir ao ser ingerido. Parte-se do princípio de que as características nutricionais, emocionais e sociais dos alimentos, aliadas à execução gastronômica, pode auxiliar na maior aceitação dos alimentos por idosos institucionalizados. O presente trabalho tem como objetivo principal avaliar a influência do comfort food e as estratégias emocionais e nutricionais na rotina alimentar destes idosos em instituições de longa permanência, através de uma revisão bibliográfica, utilizando as plataformas cientificas SciELO e Google Acadêmico. A análise dos artigos selecionados mostrou a importância do modo afetivo e cultural que é construído ao longo da vida dos idosos e sua interação com o alimento, comportamento que foi herdado desde os primórdios da criação humana. O estudo concluiu que é imprescindível considerar a história do sujeito e a sua relação afetiva com o alimento a fim de otimizar a sua adequada ingestão alimentar. Sendo assim, é importante que os profissionais de instituições de longa permanência tentem, na medida do possível, alinhar as necessidades nutricionais dos idosos com uma apresentação que se aproxime dos alimentos com os quais os sujeitos tem uma relação afetiva.

Palavras-chave: Comida de conforto, Idosos, Instituição de longa permanência, Nutrição.


Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, J.E.D. Transição demográfica, transição da estrutura etária e envelhecimento. Revista Portal de Divulgação, n. 40, ano IV, mar./mai. 2014.

AMON, D. Psicologia Social da Comida. Petrópolis: Vozes, 2014.

ATEFI, N. et al. Factors influencing registered nurses perception of their overall job satisfaction: a qualitative study. International Nursing Review, v. 61, n. 3, p. 352-360, 2014.

AWICK, E.A. et al. Differential exercise effects on quality of life and health related quality of life in older adults: a randomized controlled trial. Quality of Life Research, v. 24, n. 2, p. 455-462, 2015.

BARROS, T.V.P. et al. Capacidade funcional de idosos institucionalizados: revisão integrativa. ABCS Health Science, v. 41, n. 3, p. 176-180, 2016.

BORDIGNON, M. et al. Satisfação e Insatisfação no trabalho de profissionais de enfermagem da oncologia do Brasil e Portugal. Texto & Contexto – Enfermagem, Florianópolis, v. 24, n. 4, p. 925-933, oct./dec. 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2016. Saúde Suplementar: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, 2017.

CAMELO, L.V. et al. Qualidade de vida relacionada à saúde em idosos residentes em região de alta vulnerabilidade para saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais. Revista Brasileira de Epidemiologia. v. 19, n. 2, p. 280-293, 2016.

CHUNG, L. H. et al. Gender difference of self-health image and actual wearing conditions in university students. Journal of the Korean Society of Clothing and Textiles, v. 37, n. 1, p. 64-75, 2013.

COELHO, C.N.V. et al. Consumo alimentar de idosos atendidos em unidades de saúde da família na cidade de Pelotas-RS. Revista da Associação Brasileira de Nutrição, v. 8, n. 2, p. 43-49, jul./dez. 2017.

CUMMINGS, J.R. et al. Comfort eating and all-cause mortality in the US health and retirement study. International Journal of Behavioral Medicine, v. 25, n. 4, p. 473-478, 2018.

DÓRIA, A.C. Formação da culinária brasileira. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

FALLER, J.W. et al. A velhice na percepção de idosos de diferentes nacionalidades. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 24, n. 1, p.128-137, jan./mar. 2015.

FERNANDES, E.C.S. et al. Saberes e fazeres da gastronomia tradicional: um estudo sobre as características histórico-culturais aplicadas a produção do “doce de espécie” no município de Alcântara/MA. Ágora, v. 19, n. 1, p. 85-99, 2016.

FLEGAL, K.M. et al. Associação de mortalidade por todas as causas com sobrepeso e obesidade usando categorias padrão de índice de massa corporal: revisão sistemática e metanálise. Journal of American Medical Association, v. 309, n. 1, p. 71-82, 2013.

FREIXA, D.; CHAVES, G. Gastronomia no Brasil e no Mundo. 2. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2013.

GIMENES-MINASSE, M.H.S.G. Comfort food: sobre conceitos e principais características. Contextos da Alimentação – Revista de Comportamento, Cultura e Sociedade, v. 4, n. 2, p. 92-102, 2016.

GOLDENBERG, M. A bela velhice. 7. ed. Rio de Janeiro: Record, 2013.

GOMES, L.K.A et al. Idoso brasileiro: um retrato das relações de consumo alimentar e condições de saúde associado aos fatores sociodemográficos, no período de 2008 a 2012. In: Congresso de la Asociación Latinoamericana de Población, 7, 2016. Anais. Foz do Iguaçu: ABEP, 2016.

HARTMANN JÚNIOR, J.A.S. Depressão em idosos institucionalizados: características clinicas, variáveis psicossociais e qualidade de vida. 2012. 195 f. Tese (Doutorado em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento) – Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, 2012.

KLOTZ-SILVA, J. Hábitos alimentares e comportamento alimentar: do que estamos falando? 2015. 75 f. Tese (Doutorado em Alimentação, Nutrição e Saúde) – Instituto de Nutrição, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

LE GOFF, J. História e Memória. 7. ed. Campinas: Unicamp, 2013.

LIRA, A.G. et al. Uso de redes sociais, influência da mídia e insatisfação com a imagem corporal de adolescentes brasileiras. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 66, n. 3, p. 164-177, 2017.

MAHAN, L.K. et al. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 14. ed. São Paulo: Elsevier, 2018.

MAIRESSE, L.E.K. O conceito comfort food entre dois tipos de estabelecimentos de alimentação na cidade de Porto Alegre. 2015. 17 f. Artigo (Especialização em Gestão e Gastronomia em Serviços de Alimentação) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Porto Alegre, 2015.

MARTINS, M.F. Food Design – relacionamento entre alimento e o homem. 2016. 107 f. Monografia (Graduação em Design de Produto) – Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2016.

MELO, F. Envelhecer não é um fardo. Rio de Janeiro: Radis, 2017.

MENDES J. et al. Speech therapy and nursing undergraduates perceptions on aging processes and education for elders care. Revista CEFAC, v. 17, n. 2, p. 576-585, 2015.

MORAES, R.W. Determinantes e construção do comportamento alimentar. 2014. 46 f. Monografia (Graduação em Nutrição) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.

OLIVEIRA, D.S.; SALLES, M.R.R. A alimentação e a comensalidade como forma de socialização entre idosos numa cidade do interior paulista. Contextos da Alimentação, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 40-53, 2016.

OLIVEIRA, L. Introdução: o estudo do sabor pela geografia. Geograficidade, v. 2, n. 1, p. 27-29, 2012.

POULAIN, J.P. Sociologias da alimentação: os comedores e o espaço social alimentar. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2013.

POULAIN, J.P. The sociology of food: eating and the place of food in society. Bloomsburry, 2017.

PRINCE, M.J. et al. The burden of disease in older people and implications for health policy and practice. Lancet, v. 385, n. 9967, p. 549-562, 2015.

RODRIGUES, V. et al. The aging of the Portuguese population: a principal component analysis. Journal of Community Health, v. 39, n. 4, p. 747-752, 2014.

SARAIVA, C.N.O. et al. Gastronomia como vetor de desenvolvimento: um resgate histórico no município de São Borja. Ágora, v. 18, n. 1, p. 87-98, 2016.

SILVA, J.C.A.; PONTES, L.M. Percepção da insatisfação com a imagem corporal e Autoestima de idosas de um programa de promoção à Saúde. Anais CIEH, v. 2, n. 1, 2015.

SILVA, R.S. et al. Condições de saúde de idosos institucionalizados: contribuições para ação interdisciplinar e promotora de saúde. Caderno Brasileiro de Terapia Ocupacional, v. 27, n. 2, p. 345-356, 2019.

SOUSA, E. et al. Comfort food: o significado social e emocional dos alimentos. In: PORTFIR, 11, 2018, Porto. Resumo. Portugal, 2018.

TAVARES, A.P. Comida afetiva: uma expressão de gosto, hospitalidade e memória. 2018. 108 f. Dissertação (Mestrado em Turismo) – Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

TROISI, J. et al. Threatened belonging and preference for Comfort food among the securely attached. Journal Appetite, v. 90, p. 58-64, 2015.

TUOMAINEN, H. Eating alone or together? Commensality among Ghanaians in London. Anthropology of food, v.10, 2014.

VIEIRA, E.L. Cozinha: saberes e sabores da gastronomia missioneira. Revista Contexto & Saúde, v. 16, n. 30, p. 113-114, 2016.

WAGNER, H.S. et al. The myth of comfort food. Health Psychology, v. 33, n. 12, p. 1552 – 1557, 2014.

WILK, R. Real Belizean food: building local identity in the transnational caribbean. American Anthropologist, v.101, n. 2, p. 244- 255, 2016.




Revista Diálogos em Saúde

ISSN: 2596-206X

Centro Universitário Uniesp

Rodovia BR 230, Km 14, s/n, Morada Nova. Cabedelo - PB. CEP 58109-303